Comércio exterior na prática: tendências e riscos em 2026
Análise dos impactos do superávit comercial, as novas tensões tarifárias com os EUA e como integrar logística e comex para garantir previsibilidade nas operações internacionais em 2026.

Comércio exterior em agosto de 2026: custos e riscos logísticos
O comércio exterior brasileiro encerrou agosto de 2026 com US$ 33,2 bilhões em exportações e US$ 25,8 bilhões em importações, resultando em superávit comercial de US$ 7,4 bilhões, segundo dados consolidados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Para importadores e exportadores, esses números ajudam a contextualizar a atividade comercial, mas não substituem a análise dos custos, prazos e riscos de cada operação. [1][4]
O superávit comercial indica que as exportações brasileiras superaram as importações em agosto, mas esse resultado agregado não determina, por si só, as condições de cada empresa. Para os gestores de supply chain, a análise deve considerar a evolução das importações por setor e categoria de produto, além dos custos de aquisição, câmbio, frete, seguro e desembaraço aduaneiro. [1][3]
Gestão de custos e previsibilidade na importação
O landed cost representa o custo total de aquisição de uma mercadoria até o destino considerado, conforme o escopo de cálculo adotado pela empresa. Na análise, podem entrar o valor do produto, o frete, o seguro, os tributos aplicáveis e as despesas portuárias, aeroportuárias, aduaneiras ou de transporte interno pertinentes à operação.
Para comparar fornecedores e alternativas logísticas, é importante utilizar a mesma base de cálculo e verificar quais despesas estão incluídas ou excluídas em cada proposta. [3]
Para manter a competitividade, as empresas devem focar em:
- Planejamento de embarque: Antecipar janelas para evitar custos extras com armazenagem e demurrage.
- Revisão de Incoterms: Garantir que a divisão de riscos e custos esteja alinhada à realidade atual dos fretes e seguros.
- Acompanhamento regulatório: Monitorar alterações nas normas aplicáveis aos produtos importados e exportados, verificando seus efeitos sobre licenças, documentos exigidos, custos e prazos da operação. [4].
O fator Estados Unidos e a Lei da Reciprocidade
Um dos pontos de maior atenção para o segundo semestre de 2026 é a discussão sobre a Lei da Reciprocidade Econômica direcionada aos EUA [5]. Entidades setoriais, como a Amcham, defendem que qualquer medida de retaliação seja conduzida com moderação e equilíbrio, baseada em avaliações criteriosas de impacto [5][6].
Para empresas que dependem de insumos norte-americanos ou que possuem os EUA como destino principal, essa movimentação gera incerteza sobre tarifas e acesso a mercado. A Lei da Reciprocidade Econômica é um instrumento legal que permite ao Brasil adotar contramedidas em determinadas situações envolvendo ações unilaterais de outros países ou blocos econômicos. Em relação aos Estados Unidos, o acompanhamento das medidas comerciais e das negociações bilaterais é importante para empresas expostas a esse mercado.
Para avaliar possíveis impactos, importadores e exportadores devem identificar os produtos envolvidos, verificar as regras tarifárias aplicáveis e acompanhar os atos oficiais que eventualmente alterem as condições de acesso ao mercado. A revisão de fornecedores e de estratégias comerciais deve ser baseada nos efeitos efetivamente confirmados, sem antecipar mudanças que ainda não tenham sido formalizadas. [6][7]
Essa instabilidade reforça a necessidade de entender como navegar pela modernização e riscos em 2026, especialmente quando mudanças regulatórias podem alterar rapidamente a viabilidade de uma operação.
Integração entre logística e comércio exterior
A eficiência no comércio exterior depende da coordenação entre os procedimentos aduaneiros e o transporte físico. Na exportação, a Declaração Única de Exportação (DU-E) integra o processo de despacho; na importação, a Declaração Única de Importação (DUIMP) faz parte da modernização dos procedimentos de importação. Em ambos os casos, as empresas devem verificar os requisitos aplicáveis à operação e alinhar a documentação com a programação de coleta, transporte, liberação e entrega. [2][4]
Empresas que operam fluxos contínuos, especialmente no Mercosul, devem priorizar a visibilidade da carga e a precisão documental para evitar retenções em fronteiras. A escolha do modal e a estruturação do processo aduaneiro são pilares para garantir que o superávit registrado na balança comercial se converta em eficiência real na ponta da cadeia de suprimentos.
Análise da Interlink
O momento exige prudência e análise de dados parciais. O resultado consolidado da balança comercial de agosto oferece uma visão do desempenho agregado do comércio exterior brasileiro, mas não elimina os desafios operacionais de cada cadeia de suprimentos. Para as empresas, a previsibilidade depende de acompanhar os custos envolvidos, organizar a documentação e alinhar as etapas de transporte, desembaraço e entrega.
Em operações internacionais, vale revisar as condições comerciais contratadas, avaliar a exposição cambial e acompanhar eventuais alterações tarifárias ou aduaneiras que afetem os produtos negociados. No transporte rodoviário pelo Mercosul, o planejamento também deve considerar os requisitos documentais da operação, os procedimentos de fronteira e a coordenação entre os envolvidos. [2] Recomendamos que gestores revisem contratos com cláusulas de reajuste cambial e monitorem de perto as consultas setoriais sobre reciprocidade tarifária. A previsibilidade operacional hoje depende menos de prever o câmbio e mais de preparar a logística para diferentes cenários regulatórios e aduaneiros.
Para empresas que buscam estruturar suas operações com segurança, contar com suporte especializado em transporte rodoviário internacional e despacho aduaneiro é um passo fundamental para reduzir riscos em fronteiras e otimizar prazos no Mercosul.
Fontes
- [1]https://www.gov.br/mdic/pt-br/assuntos/noticias/2026-periodo-eleitoral/agosto/mdic-divulga-balanca-comercial-da-1a-semana-de-agosto-de-2026
- [2]https://www.gov.br/mdic/pt-br/assuntos/comercio-exterior/estatisticas/informativos/informativo-2026-037
- [3]https://www.contabeis.com.br/artigos/78670/comercio-exterior-dolar-afeta-custos-e-margens-da-empresa/
- [4]https://valor.globo.com/brasil/noticia/2026/08/10/balanca-comercial-brasileira-tem-superavit-de-us-252-bi-na-1a-semana-de-agosto.ghtml
- [5]https://valor.globo.com/brasil/noticia/2026/08/14/amcham-pede-que-processo-de-reciprocidade-contra-eua-seja-conduzido-com-moderao.ghtml
- [6]https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2026/08/7480560-reciprocidade-abre-nova-frente-de-negociacao-com-os-estados-unidos.html
- [7]https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2026/08/15/reciprocidade---setores.ghtm
Sobre o autor
Lucas Vidal
Sócio e Diretor Comercial
Lucas Vidal é sócio e diretor comercial da Interlink Cargo, empresa especializada em logística internacional no Mercosul. Com formação em Engenharia no Brasil e na França, atua no desenvolvimento de negócios, estratégia comercial e soluções para transporte rodoviário internacional, comércio exterior e integração logística entre Brasil, Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai.
