Reforma Tributária na Logística e Transporte: O que muda no custo e na operação?
Descubra como o IVA Dual (CBS/IBS) impacta o frete, o crédito tributário e os custos de exportação e importação. Guia essencial para gestores de logística.

A implementação da Reforma Tributária no Brasil, centrada na criação do IVA Dual (composto pela Contribuição sobre Bens e Serviços - CBS e pelo Imposto sobre Bens e Serviços - IBS), deixou de ser uma possibilidade distante para se tornar a prioridade máxima nas agendas de logística e comércio exterior.
Para quem opera no setor de transporte rodoviário de cargas, armazenagem ou lida com o complexo fluxo de importação e exportação, a mudança vai muito além da simples troca de nomes de impostos. Ela redefine a forma como o custo logístico é calculado e como a competitividade das empresas é medida [1][3].
O Impacto no Transporte Rodoviário e na Formação do Frete
O transporte rodoviário de cargas é um dos setores que exige maior atenção. Atualmente, a composição do frete lida com uma colcha de retalhos que inclui PIS, Cofins e ICMS. Com a transição para o modelo de IVA, a promessa do governo é de uma simplificação que reduza custos operacionais e litígios jurídicos [1][2].
No entanto, a prática exige cautela. O ponto crucial será a tributação no frete e a capacidade de repasse dos novos custos pelas transportadoras. As empresas precisarão revisar imediatamente suas cláusulas contratuais de reajuste para garantir que a mudança na carga tributária sobre o serviço prestado não corroa as margens de lucro ou gere surpresas negativas para os embarcadores [1][6].
Créditos Tributários: O Grande Desafio do Fluxo de Caixa
Um dos pilares da reforma é a não cumulatividade plena, ou seja, a possibilidade de recuperar o imposto pago em etapas anteriores da cadeia. Contudo, entidades do setor, como o SETCESP, já expressaram preocupação com as regras de ressarcimento [3].
A principal dor de cabeça para os gestores financeiros e de supply chain é o risco de apropriação indevida ou suspensão de créditos tributários no transporte em casos de disputas administrativas. Se o governo demorar a devolver esses créditos, o capital de giro das empresas de logística — que já operam com margens apertadas — pode ser severamente comprometido [3].
Mudanças Críticas no Comércio Exterior e Importação
Para os importadores, a rotina de nacionalização de mercadorias sofrerá alterações profundas. A reforma exige uma revisão completa dos custos de desembaraço e precificação [5].
Pontos de atenção na importação e exportação:
- Custo de Nacionalização: O timing do aproveitamento de créditos de CBS e IBS na entrada de mercadorias impactará diretamente o custo total de aquisição (Total Cost of Ownership).
- Vantagem Competitiva: Empresas que adaptarem seus sistemas de ERP e processos fiscais com agilidade conseguirão classificar melhor seus serviços e gerir créditos de forma mais eficiente [6].
- Exportação: A desoneração das exportações deve ser mantida, mas a velocidade na recuperação dos créditos acumulados na cadeia produtiva será o diferencial para a competitividade do produto brasileiro no exterior [3].
Armazenagem e Logística Tributária: Novos Modelos de Decisão
A escolha de onde instalar um centro de distribuição não será mais baseada apenas em benefícios fiscais de ICMS que podem deixar de existir. A logística tributária estratégica agora foca na eficiência de movimentação e na geração de créditos ao longo de cada elo da cadeia [1][5].
Operações que envolvem muitos intermediários precisarão mapear onde a nova tributação incide de forma mais pesada e onde há maior potencial de recuperação de impostos. A maturidade de dados e a integração entre os departamentos fiscal e logístico tornam-se, portanto, ferramentas de gestão essenciais [6].
Como se preparar para a transição?
Prepare sua operação seguindo estes passos fundamentais:
- Revisão de Contratos: Analise cláusulas de frete e serviços logísticos para prever o impacto da CBS e IBS.
- Saneamento de Dados: Garanta que o cadastro de serviços e mercadorias esteja impecável para evitar perdas de créditos.
- Planejamento Financeiro: Simule o impacto no fluxo de caixa considerando possíveis atrasos no ressarcimento de créditos tributários acumulados de PIS/Cofins e ICMS [3].
- Atualização Tecnológica: Verifique se sua infraestrutura de software está pronta para lidar com o modelo de IVA Dual e a transição gradual.
A Reforma Tributária traz a promessa de um ambiente de negócios mais moderno, mas o sucesso nessa nova era dependerá da capacidade analítica dos gestores em transformar a complexidade em estratégia logística aplicada [1][6].
Fontes: [1] Ministério da Fazenda [2] Debates Setoriais de Logística [3] SETCESP (Sindicato das Empresas de Transportes) [5] Radar Digital (Importação) [6] Análises de Logística Fiscal
Fontes
- [1]https://www.gov.br/fazenda/pt-br/assuntos/noticias/2026/maio/regulamentacao-avanca-com-foco-em-simplificacao-seguranca-juridica-e-integracao-entre-entes-federativos
- [2]https://www.youtube.com/watch?v=44sZR104DSo
- [3]https://setcesp.org.br/noticias/pagamento-de-creditos-tributarios-na-reforma-preocupa-contribuintes/
- [4]https://www.agroeprosa.tv/noticia/4544/logistica/stf-libera-avanco-da-ferrograo-apos-quase-seis-anos.html
- [5]https://radardigitalbrasilia.com.br/noticias-corporativas-dino/329588-reforma-tributaria-muda-rotina-de-quem-importa/
- [6]https://domtec.com.br/conteudo/logistica-fiscal-complexidade-tributaria-vantagem-competitiva
Sobre o autor
Lucas Vidal
Sócio e Diretor Comercial
Lucas Vidal é sócio e diretor comercial da Interlink Cargo, empresa especializada em logística internacional no Mercosul. Com formação em Engenharia no Brasil e na França, atua no desenvolvimento de negócios, estratégia comercial e soluções para transporte rodoviário internacional, comércio exterior e integração logística entre Brasil, Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai.
