Piso mínimo do frete: como revisar cotações internacionais
A atualização da ANTT exige revisão criteriosa das premissas de custo e do escopo das cotações. Veja os pontos de atenção para operações rodoviárias internacionais.

Piso mínimo do frete: impactos da atualização da ANTT
A atualização dos coeficientes do piso mínimo do frete pela ANTT é um sinal para revisar a formação de custos e a transparência das cotações rodoviárias. Para empresas que importam ou exportam no Mercosul, o ponto central é não presumir que a mudança produza o mesmo efeito em todos os contratos, trechos ou rotas internacionais.
A ANTT atualizou os coeficientes do piso mínimo do frete rodoviário e divulgou o preço de referência do diesel em R$ 7,33 por litro, com vigência a partir de 30 de setembro de 2026. [1] A atualização exige atenção de embarcadores e transportadoras na análise das condições regulatórias e comerciais aplicáveis a cada operação. A partir desse marco, embarcadores e transportadoras devem avaliar as premissas utilizadas em cada negociação, distinguindo a regra regulatória aplicável dos componentes comerciais e operacionais da operação.
O que foi atualizado pela ANTT
O piso mínimo do frete é calculado com base em coeficientes regulatórios que consideram a distância percorrida e os custos de carga e descarga, conforme o tipo de operação. O preço de referência do diesel S10 é um dos parâmetros utilizados na atualização dos coeficientes. Por isso, mudanças no combustível podem provocar revisões nos valores mínimos estabelecidos pela ANTT. [2]
Na atualização mais recente, a ANTT comunicou novos coeficientes e estabeleceu o preço de referência do diesel em R$ 7,33 por litro, com vigência em 30 de setembro de 2026. [1]
A atualização ocorreu por meio de um mecanismo extraordinário, acionado quando a variação do preço do diesel S10 ultrapassa o limite previsto na legislação. Esse procedimento é diferente da revisão ordinária dos coeficientes, realizada periodicamente pela ANTT. Para as empresas, compreender essa distinção ajuda a identificar a origem da alteração e a acompanhar futuras atualizações regulatórias. [3]
A atualização dos coeficientes não determina, por si só, o preço final de todos os serviços de transporte. A análise da cotação deve considerar o escopo contratado e as condições comerciais acordadas entre as partes.
Por que a atualização merece atenção em operações internacionais
O transporte internacional de cargas reúne variáveis que não se resumem a uma referência de combustível. Uma cotação pode considerar, por exemplo, origem e destino, tipo de veículo, características da carga, janela de coleta, condições de carregamento e descarga, tempos operacionais e responsabilidades definidas entre as partes.
Por isso, a atualização deve ser tratada como um gatilho de revisão, e não como justificativa automática para reajustar qualquer frete internacional rodoviário. A aplicação do piso mínimo deve ser analisada conforme o enquadramento da operação e as regras vigentes. No transporte rodoviário internacional, é importante identificar o serviço contratado, os trechos envolvidos e as disposições regulatórias pertinentes antes de concluir se a atualização exige alguma adequação de preço. A análise de cada caso deve considerar a regulamentação aplicável e as condições contratuais.
Também não há base, nas informações disponíveis, para quantificar impactos em tarifas, custos ou prazos nas rotas Brasil–Argentina, Brasil–Chile, Brasil–Uruguai ou Brasil–Paraguai.
Como revisar a formação de frete internacional rodoviário
A formação de frete é a composição de custos e condições considerada na cotação de transporte. Uma revisão consistente começa pela comparação entre a proposta atual, o contrato e a realidade operacional da rota.
1. Separar exigência regulatória e condição comercial
O primeiro passo é identificar o que está sujeito à regra regulatória aplicável e o que foi definido comercialmente entre embarcador e transportadora internacional. Essa separação reduz interpretações genéricas e melhora a qualidade da negociação.
Vale registrar, de forma objetiva:
- qual é o trecho considerado na proposta;
- quais serviços estão incluídos no valor apresentado;
- qual premissa de combustível foi utilizada;
- quais condições podem exigir revisão comercial;
- qual é a vigência da cotação;
- quais responsabilidades cabem a cada parte.
2. Conferir se o escopo está descrito com clareza
Em uma operação porta a porta, a comparação de propostas apenas pelo valor total pode ocultar diferenças relevantes de escopo. A empresa deve confirmar, por escrito, o que está incluído e o que depende de condições adicionais.
Esse cuidado é particularmente importante quando a operação envolve etapas sob coordenação de diferentes áreas, fornecedores ou parceiros. A atualização da ANTT, isoladamente, não permite concluir quais documentos internacionais, procedimentos aduaneiros ou atividades de fronteira estarão incluídos na contratação. Esses pontos devem ser conferidos na proposta e na documentação da operação.
3. Revisar premissas antes de aprovar um reajuste
Quando houver pedido de revisão de preço, o embarcador pode solicitar uma memória de cálculo compatível com o serviço negociado. O objetivo não é transformar a negociação em disputa, mas assegurar que o reajuste proposto esteja conectado a premissas identificáveis.
Uma boa prática é pedir que a transportadora explique:
- a base de custo utilizada na proposta original;
- a referência que motivou a revisão;
- os itens que permanecem inalterados;
- a data de início pretendida para a nova condição;
- os impactos sobre cotações abertas, coletas programadas e contratos vigentes.
Pontos de atenção para importadores e exportadores
A revisão de cotações ajuda a preservar previsibilidade, mas depende de informações completas. Para gestores de comércio exterior, logística e supply chain, os principais pontos de controle incluem:
- Contratos vigentes: verificar cláusulas de reajuste, vigência e procedimento de comunicação entre as partes.
- Cotações em aprovação: confirmar por quanto tempo a proposta permanece válida e quais premissas podem ser atualizadas.
- Orçamento de importação ou exportação: separar a estimativa de transporte dos demais componentes do custo logístico, evitando atribuir à atualização efeitos que não foram comprovados.
- Comparação entre fornecedores: avaliar escopo, nível de detalhamento e condições operacionais, além do preço final.
- Registro de decisões: manter a troca de informações documentada para facilitar auditorias internas e a gestão de divergências.
Além da análise de preços e contratos, a escolha da transportadora influencia a previsibilidade da operação. Critérios como clareza das condições comerciais, capacidade operacional e experiência no transporte internacional também devem entrar na avaliação. Saiba mais no guia sobre como contratar transporte rodoviário internacional com segurança
Análise da Interlink
Na leitura operacional da Interlink, a atualização divulgada pela ANTT deve levar empresas a testar a consistência das premissas de custo, e não a aplicar reajustes padronizados sem examinar o serviço contratado.
Para uma operação internacional no Mercosul, a prática mais prudente é organizar a cotação em camadas: identificar o trecho e o serviço efetivamente contratados, documentar as condições comerciais e validar a aplicabilidade regulatória antes de aprovar qualquer alteração. Esse método favorece conversas mais objetivas entre embarcador, áreas internas e transportadora.
A gestão de riscos também depende de previsibilidade de informação. Manter cotações atualizadas, critérios de aprovação claros e interlocução operacional próxima ajuda a antecipar dúvidas de custo e escopo durante a execução. Para aprofundar essa visão, veja como gerir riscos e previsibilidade no transporte rodoviário internacional no Mercosul.
Essa é uma orientação operacional prudente, não uma interpretação jurídica ou tributária definitiva. A análise contratual e regulatória deve considerar as particularidades de cada operação.
Conclusão
A atualização dos coeficientes do piso mínimo do frete e do preço de referência do diesel divulgada pela ANTT torna mais importante revisar cotações, contratos e premissas de custo. [1]
Para operações rodoviárias internacionais, o caminho mais seguro é evitar conclusões automáticas: validar a aplicabilidade da norma, conferir o escopo da contratação e pedir transparência sobre as condições que compõem a proposta. Assim, a empresa ganha base para negociar com mais previsibilidade e tomar decisões alinhadas à sua operação.
Para conhecer a atuação da Interlink em transporte rodoviário FTL no Mercosul, avalie as alternativas de planejamento e coordenação para cargas internacionais conforme o perfil da sua operação.
Fontes
- [1]https://www.gov.br/antt/pt-br/assuntos/noticias-defeso-eleitoral/antt-atualiza-coeficientes-do-piso-minimo-do-frete-e-divulga-novo-preco-de-referencia-do-diesel
- [2]https://www.gov.br/antt/pt-br/assuntos/cargas/politica-nacional-de-pisos-minimos-de-frete/perguntas-frequentes-pmf/7-metodologia-de-calculo-2014-custos-fixos-variaveis-insumos-de-referencia-e-itens-nao-previstos/7-1-como-e-estruturada-a
- [3]https://www.gov.br/antt/pt-br/assuntos/cargas/politica-nacional-de-pisos-minimos-de-frete/perguntas-frequentes-pmf/12-atualizacao-dos-coeficientes-de-pisos-minimos-revisoes-das-regras-e-metodologia-de-calculo-e-participacao-social/12-1-como-as-tabelas-de
Sobre o autor
Lucas Vidal
Sócio e Diretor Comercial
Lucas Vidal é sócio e diretor comercial da Interlink Cargo, empresa especializada em logística internacional no Mercosul. Com formação em Engenharia no Brasil e na França, atua no desenvolvimento de negócios, estratégia comercial e soluções para transporte rodoviário internacional, comércio exterior e integração logística entre Brasil, Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai.
